Marketing e CRM

Livelo, Esfera, Starbucks: por que todo mundo te dá pontos — e por que sua loja também deveria

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Equipe ZopiShops

27 de agosto de 20269 min de leitura
 Livelo, Esfera, Starbucks: por que todo mundo te dá pontos — e por que sua loja também deveria

Livelo, Esfera, Starbucks: por que todo mundo te dá pontos — e por que sua loja também deveria

Você já reparou que, do posto de gasolina à farmácia, alguém sempre pede seu CPF no caixa?

Não é burocracia. É a coisa mais valiosa que aquele negócio faz no dia. No segundo em que você diz os onze dígitos, você deixa de ser "uma venda de R$ 87" e vira uma pessoa com histórico, frequência e preferência. E, na maioria dos casos, você sai de lá com um saldo de pontos — um pequeno motivo para voltar ali em vez de ir no concorrente da esquina.

Bancos, companhias aéreas, farmácias e cafeterias gastam milhões mantendo essa engrenagem. A pergunta que quase nenhum lojista pequeno se faz é: por que eu não tenho isso?

O que é, na prática, um programa de pontos

Tira a palavra "fidelidade" da frente e o mecanismo é bem simples. São três peças:

1. O acúmulo. O cliente faz algo que você quer que ele faça e ganha pontos. Normalmente é comprar — 1 ponto a cada R$ 1 gasto é o padrão mais comum no varejo brasileiro. Mas pode ser qualquer comportamento: se cadastrar, avaliar um produto, indicar um amigo, comprar no mês de aniversário.

2. O saldo. Os pontos ficam guardados numa conta ligada ao CPF ou ao WhatsApp do cliente. Esse saldo é a peça central — falo dele daqui a pouco.

3. O resgate. Em algum momento o cliente troca os pontos por algo: desconto na próxima compra, frete grátis, um produto específico, um brinde, acesso antecipado a uma coleção.

É isso. Não tem mágica nem tecnologia complicada. O que separa um programa que funciona de um que só dá prejuízo é o desenho das regras — e nisso a gente entra mais pra frente.

Por que isso funciona tão bem (três motivos, e o terceiro é o melhor)

Motivo 1: o saldo é uma dívida sua com o cliente — e ele sabe disso

Aqui está o coração da coisa. Quando um cliente tem 340 pontos na sua loja, ele não pensa "tenho 340 pontos". Ele pensa "tenho R$ 17 lá que eu perco se comprar em outro lugar".

Isso muda a decisão de compra. Duas lojas com o mesmo produto pelo mesmo preço deixam de ser equivalentes no instante em que uma delas tem seu saldo guardado. O cliente que ia comparar preço em cinco abas do navegador simplesmente volta na sua.

É por isso que os programas de milhas aéreas são tão poderosos. Ninguém troca de companhia quando está a 8 mil pontos de uma passagem para Lisboa.

Motivo 2: cliente pontuado gasta mais por compra

Programa de pontos com faixas de resgate cria um efeito muito concreto no caixa: quem está com 180 pontos e sabe que aos 200 destrava um benefício tende a colocar mais um item no carrinho. Não é manipulação — é dar ao cliente uma razão a mais para completar a compra hoje em vez de deixar pra depois.

Ticket médio maior, com a mesma verba de tráfego. Se você leu o post sobre quanto sobra de verdade do seu faturamento, sabe o quanto isso muda a conta no fim do mês.

Motivo 3: você finalmente descobre quem são seus clientes

Esse é o benefício que quase ninguém menciona e que vale mais que os outros dois juntos.

Sem programa, sua loja tem "vendas". Com programa, ela tem pessoas. Você passa a saber que a Camila compra a cada 45 dias, sempre acima de R$ 200, sempre da mesma categoria. E passa a saber, no dia 60, que a Camila sumiu — e que dá pra mandar uma mensagem antes de perder ela de vez.

Programa de pontos não é só recompensa. É o mecanismo que faz o cliente se identificar em toda compra. Sem isso, seu CRM fica vazio e suas campanhas viram tiro no escuro. É a mesma lógica do NPS: você só melhora aquilo que consegue medir por cliente.

Os modelos que já existem (e o que copiar de cada um)

Livelo e Esfera — os programas de coalizão

A Livelo nasceu em 2014, criada por Banco do Brasil e Bradesco, e já passa de 22 milhões de clientes. A Esfera é o programa dos cartões Santander, no ar desde 2012 e aberto ao público geral desde 2022.

O modelo dos dois é o de coalizão: você acumula em vários lugares e resgata em vários outros. O ponto vira quase uma moeda paralela, transferível para milhas aéreas, produtos e passagens.

O que copiar: a ideia de que o ponto precisa ter uma equivalência clara em reais na cabeça do cliente. Todo mundo que usa Livelo sabe mais ou menos quanto vale mil pontos. Se o cliente não consegue estimar quanto vale o saldo dele, o programa não motiva nada.

O que não copiar: a complexidade. Deságio, transferência bonificada, clube de assinatura de pontos. Sua loja de roupa não precisa disso — precisa do oposto.

Dotz e os programas de varejo

A Dotz seguiu o mesmo caminho no varejo: acumular em supermercado, farmácia e posto, resgatar num catálogo. E as próprias redes fazem a versão própria: O Boticário mantém um programa de fidelidade unificado entre suas marcas, com acúmulo por real gasto e resgate em desconto; as grandes redes de farmácia praticamente condicionaram o desconto ao CPF no caixa.

O que copiar: a simplicidade da regra. "1 real = 1 ponto" é entendido por qualquer pessoa em dois segundos, e isso importa mais do que ser generoso.

Starbucks — pontos com camada de status

O Starbucks Rewards vai além do desconto: ele dá bebida grátis no aniversário, personalização, pedido antecipado pelo app. O cliente não fica pelo dinheiro de volta, fica pela sensação de ser reconhecido. (Já escrevemos sobre isso em o que Amazon, Starbucks e Nubank sabem que a sua loja ainda não faz.)

O que copiar: nem toda recompensa precisa ser desconto. Frete grátis, brinde, acesso antecipado ao lançamento e atendimento prioritário custam menos e criam mais vínculo do que 10% off.

Quanto isso custa de verdade — a conta que importa

Aqui está a parte que faz o lojista travar: "mas dar ponto não é dar desconto disfarçado?"

Vamos aos números. Suponha uma loja com ticket médio de R$ 120.

Regra do programa: 1 ponto por real gasto. 100 pontos = R$ 3 de desconto. Logo, cada ponto vale R$ 0,03 — ou seja, o programa custa 3% do faturamento, no pior cenário.

Numa compra de R$ 120, você provisiona R$ 3,60.

Agora compare com o custo de trazer um cliente novo. Rodando tráfego pago, adquirir um comprador dificilmente sai por menos de R$ 30 ou R$ 40 no varejo brasileiro — e em categorias concorridas passa fácil disso.

R$ 3,60 para fazer alguém voltar. R$ 40 para conseguir alguém novo. É por isso que praticamente toda grande varejista mantém programa de pontos, mesmo dando desconto na prática. O programa não é despesa de marketing: é a alternativa mais barata que existe à despesa de marketing.

Dois detalhes honestos:

  • Nem todo mundo resgata. Uma parte relevante dos pontos emitidos nunca é usada, o que derruba o custo real abaixo dos 3%. Mesmo assim, provisione como se todos fossem resgatados. Programa saudável é aquele que sobrevive ao cenário em que todo mundo resgata.

  • O custo real é a sua margem, não o valor de face. Se o resgate for um produto seu, o que sai do bolso é o custo do produto, não o preço de etiqueta.

Cinco erros que matam um programa de pontos

1. Meta longe demais. Se o cliente precisa de oito compras para resgatar qualquer coisa, ele desiste na segunda. A primeira recompensa tem que estar ao alcance de duas ou três compras.

2. Ponto que ninguém sabe quanto vale. "500 pontos por R$ 20" é pior que "cada ponto vale R$ 0,04". Se o cliente precisa de calculadora, você já perdeu.

3. Validade escondida. Ponto expirando sem aviso é a forma mais rápida de transformar um cliente fiel num detrator. Se tiver validade — e é legítimo ter —, avise com antecedência. Aliás, o aviso de validade é uma das melhores desculpas que existem para reativar quem sumiu.

4. Saldo invisível. Um programa que o cliente esquece que tem não influencia decisão nenhuma. Saldo tem que aparecer: no WhatsApp depois da compra, no e-mail, na conta dele dentro da loja.

5. Regra que muda toda hora. Programa de fidelidade só funciona no acúmulo de confiança. Desenhe, teste por uns três meses e só depois ajuste.

Como montar o seu — as quatro decisões

Antes de sair configurando, defina isso no papel:

  1. Quantos pontos por real gasto? Comece com 1 por 1. É o padrão que o cliente já conhece.

  2. Quanto vale o ponto no resgate? Escolha uma faixa entre 2% e 5% do faturamento, conforme sua margem. Margem apertada, fique nos 2%.

  3. O que ele pode resgatar? Comece com desconto e frete grátis. Depois adicione brinde, produto e benefício exclusivo.

  4. O ponto vence? Doze meses é o intervalo mais usado no varejo. E cada vencimento próximo vira gatilho de campanha.

Na ZopiShops, isso já vem pronto

Aqui está o ponto que separa a ZopiShops das plataformas tradicionais de loja virtual: na maioria delas, programa de pontos é um aplicativo de terceiro que você contrata à parte, paga uma mensalidade adicional e ainda torce para integrar direito com o resto.

Na ZopiShops, o programa de pontos já faz parte da plataforma, incluído no plano Zopi Pro. Sem app externo, sem mensalidade extra, sem integração para dar errado.

E, mais importante, ele não vive isolado. Os pontos conversam com o CRM, com as campanhas e com o WhatsApp — que é onde seu cliente realmente está. Na prática:

  • O cliente acumula pontos automaticamente a cada compra, na loja online e no PDV.

  • O saldo fica visível para ele e para você, dentro da ficha do cliente.

  • Você dispara campanha para quem está perto de resgatar, para quem tem ponto vencendo e para quem sumiu.

  • Pontos, cashback e NPS ficam no mesmo lugar, olhando para o mesmo cliente.

É o Método Lucro Contínuo na prática: em vez de recomeçar todo mês caçando cliente novo, você constrói uma base que volta sozinha.

Resumindo

Programa de pontos não é firula de loja grande. É o jeito mais barato que existe de responder a pergunta que decide se seu negócio cresce ou trava: o que faz esse cliente voltar?

Sem ele, cada mês começa do zero. Com ele, cada venda deixa um motivo para a próxima.

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#crm#vendas#fidelidade
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